Eu senti na verdade, mas a sensação parece audível, tipo quando estoura um saquinho de plástico! E ai senti um quentinho nas pernas, um liquido quentinho, pensei rapidamente duas coisas "pronto, segurei o xixi e ele saiu" e "é a bolsa estourando"! Foi aquele tipo de pensamento com analise super rápidos e conclui que não podia ser xixi, então era a bolsa, "mas a bolsa não pode ser, a bolsa não, são só 34 semanas ainda"! Me levantei e fui ao banheiro, ver a situação, me trocar e pegar um absorvente, enquanto andava o liquido não dava trégua e eu comecei a rir daquilo, as vezes eu rio em situações inesperadas.
Era semana de feriado, verão, e minha tradutora estava viajando, afinal faltava bastante pra DPP... Eu estava sem celular para ajudar. Chamei ela no messenger do Facebook, graças a Deus ela viu no mesmo momento! Falou da viajem, e ainda que eu entendesse fiquei meio em choque na hora por não saber como seria sem ela. Pedi que ela ligasse para o Murilo - esse que mal tinha chegado no serviço - e ele não atendia, pedi então pra ela ligar direto no setor dele e ai conseguiu contato. Foi engraçado, Murilo compartilhou depois que não foi ele quem atendeu o telefone foi um colega, e esse foi chama-lo, chegando lá disse "corre que teu filho tá nascendo". E ele chegou em pouquíssimos minutos, a fabrica não era longe e ele ia para o trabalho de bicicleta, mas nesse dia fez um tempo recorde. Até me assustei mas não deixei de ficar feliz com a disposição e preocupação dele <3! Já em casa, pensamos, e ligamos para uma outra tradutora que graças a Deus estava podendo atender. Não tínhamos carro na época e ela veio nos pegar. Eu peguei algumas coisas, lembro de pegar uma toalha para por no assento do carro, e fomos para a clinica que fica a uns sete minutos de onde morávamos!
Chegamos na clinica. Foi pedido para fazer exame de urina e lembro que quando fui coletar e o tampão saiu... Fui para o monitoramento, a bolsa tinha mesmo rompido e as contrações estavam fortes e aumentando, mas eu estava bem em relação a elas. Foi um entra e sai de enfermeira, faziam ligações e olhavam para mim... Fiquei um tanto tensa. Me levaram para o segundo andar, para uma sala de preparação para parto, sala essa que tinha conhecido na consulta anterior, fiz um tour na maternidade, mas agora eu já sabia que meu filho não nasceria ali, foi só para receber medicamento para diminuir as contrações e ter tempo para decidir o que seria feito. Meu GO e obstetra veio falar comigo, tão atencioso, falou que por ser prematuro meu filho não poderia nascer ali, que seria melhor ir para um hospital que conta com uma assistência muito maior! Falou que faria umas ligações buscando transferência, pedi mentalmente que não fosse longe mas na verdade só queria o melhor pro meu bebê! Ele veio então com a noticia de que encontrou vaga no hospital da cidade, menos de cinco minutos da clinica, e que eles viriam me buscar, também me tranquilizou sobre o médico que me atenderia, dizendo que era um colega. Perguntou se aceitava ali mesmo, concordei sem hesitar!
Como eu desci do segundo andar eu não lembro, mas lembro do barulho de sirene se aproximando. Essa parte me constrangeu, nunca tinha sido tratada assim como "se pudesse quebrar", também nunca tinha entrado em uma ambulância, o que dizer de ser carregada. Bem neste dia, a clinica estava cheia, tinha estrangeiras e até conhecidas, lembro de cumprimentar uma e querer bater um papinho, sobre o que estava rolando, e a enfermeira me olhando tipo "alô! seu filho ta nascendo" . Essa parte da ambulância foi engraçada, para não dizer cômica, mas era preciso, me imobilizaram e tudo para proteger o tesouro da vida, esse cuidado ajudou a segurar a onda e diminuir a tensão, mas confesso é ruim demais andar de ambulância, deitada, imóvel, fiquei com náuseas. Era o ápice do verão, e seguindo todo um protocolo, creio eu, colocaram um cobertor sobre mim e aquilo estava quente demais, por sorte o hospital era perto...